sábado, 16 de julho de 2016

Poesia I

Platônico
Os pássaros
Lá fora estão,
Em uma dourada sinfonia
De amor e ilusão.

Nesses teus braços quentes
Me sonha
Nos martírios de seus pensamentos,
Interpreta-me como gota
Tão serena
Que machuca-te.

Desenha teu pecado
Na própria pele
Das árvores que beijam este chão
Esqueça-se das bonitas rosas
Traga-me
Como um cigarro barato,
Leva-me para a tua realidade.

Os teus erros, são tão meus
Rimando com os batimentos do seu coração,
É só mais um inverno, amor.

Porque espero-te nessa janela
Em todas as noites,
Madrugadas vêm e vão
Fazendo teu retrato em floreios
Na minha pobre mente doentia.

Nem me sente em teu próprio abraço,
Salva-me de mim
Como se a dor fosse tua.

Essa armadura de carne
Protege do mal
Mas não é de ferro,
Daquela Casa
Que te oferece com tão pouco
As correntes o seguram exaustivamente
Dia após dia,
Meu amor, vá nas beiradas.

Calçadas guardam lágrimas de bêbados
E os esperam por todas as noites
Eu te procuro
Em todos os meus sonhos,
Inocentemente, eu o amo e o odeio,
Da forma mais agridoce que pode transparecer.

A sua voz amarga
Repete palavras
Tropeça nelas
E decai-se na tristeza de seus erros.
Cores coloridas ingerem o céu
Transforma a dor em amor,
Cresce nos lírios de tua alma
Oh, querido, quando virá?
Na súbita madrugada parte
Em mil pedaços deixa-me
Prosando em silêncio todas aquelas lindas palavras.

    Sinto-me em um continente diferente
Daquele do que um dia prometeu-me,
Nos teus mares há luas minguantes
Lotadas de promessas
Nos meus há apenas a saudade delas
Vazia de juramentos.

Nesses jardins
Sem flores
O medo lhe toma como vinho barato,
Entupindo-se de uma falsa bebedeira
Te faz menos meu do que já foras,
Encontrar tua paz
Da falta de armas
Dos espelhos partidos em mil,
Fique
Como desejar
Nasça nessas rimas sem pestanejar,
Oh, meu bem, te faço real dos meus próprios sonhos.
[...]
Por: Gabriele Araújo.

Criado em: Vinte de junho de dois mil e dezesseis.